Ela enfrentou o racismo para estudar

Nascida em 1874, nos Estados Unidos, Rachel Anna Knight era filha de uma escrava emancipada. Ela era uma criança curiosa, mas por ser negra, foi impedida de frequentar a escola.

Como seus primos eram brancos e tinham acesso a livros, ela fez um acordo com eles, ajudando-os nas tarefas em troca de momentos com os livros. Foi desta forma que ela aprendeu a ler ensinada por eles.

Para praticar a escrita, ela ia para a beira do riacho e desenhava as letras na terra molhada. Foi assim que ela cresceu desejando ensinar a todas as crianças a ler e a escrever.

Quando um vendedor de revistas chegou à casa da família, Anna implorou à mae que comprasse um exemplar  e logo passou a receber amostras grátis adicionais. Naquela época, os adventistas do sétimo dia começavam a espalhar literatura gratuitamente e Anna as lia com bastante entusiasmo.

Depois de seis meses lendo tudo que recebia e comparando com a Bíblia, ela decidiu que era a hora de encontrar os adventistas e se juntar a eles. Contrariando os pais, ela viajou para outro estado, sozinha, onde foi batizada à beira de um riacho.

Acolhida por uma família, Anna foi matriculada em uma escola, mas novamente foi hostilizada e impedida de frequentar as aulas. Ela continuou aprendendo através das aulas individuais que recebia naquela casa.

Convivendo mais com os adventista, Anna foi incentivada a estudar enfermagem, iniciando o curso em 1898. Ao terminar o curso, ela voltou para a região onde cresceu e abriu uma escola missionária em uma cabana. Doze alunos foram matriculados e começaram a estudar através dos livros que ela recebeu de doações. No ano seguinte, com a doação de uma amiga, ela conseguiu construir mais sala, dobrando a quantidade de alunos.

Porém, alguns moradores da comunidade passaram a se incomodar, já que os jovens estavam abandonando o alcoolismo, que movimentava bastante as finanças locais. Sofrendo ameaças, Anna circulava armada com um rifle e contratou guardas para vigiar a escola à noite.

Muitas histórias fazem parte da trajetória dessa mulher, que foi também missionária na Índia e Grécia.